Um pote até aqui de felicidade

japa

Fotos: Reprodução

Bom, algumas pessoas têm me perguntado se não vou falar, ou melhor, escrever, sobre minha demissão “sem justa causa”, a segunda em menos de dois anos, do Jornal A Tribuna de Santos. Vou tentar fazer isso com o cérebro, não com o fígado. Sou dirigente regional do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo e depois de ter lutado por melhores condições de trabalho e atitudes tomadas de cima  pra baixo contra os profissionais que trabalham ali, mais uma vez fui dispensado. Nunca sentei em cima de cargo no Sindicato para obter qualquer vantagem. Nunca tive nenhum tipo de favorecimento. Alguma pessoas não gostam de mim, mas existe um quantidade enorme que gosta. Constantemente boicotado e perseguido, minha vida profissional se estagnou. É o preço que se paga quando se toma um lado. Idiota é quem pensa que o patrão é igual ao trabalhador em algum momento. Isso não existe e dentro do jornal a cada dia fica mais evidente.

Fui dispensado duas vezes em, menos de dois anos, sem justa causa, em função de uma reestruturação mentirosa que não existe e nunca existiu no velho e vazio prédio da Rua João Pessoa. Sabe o que incomoda os sabujos de plantão? é que fui eleito pela categoria em três oportunidades, duas como diretor de base e recentemente diretor regional. Tem gente em cargo de chefia que sabe, hoje, que convive com sorrisos de quem lhe detesta. Se for para uma eleição da Cipa, tem chance de passar vergonha. Uma decepção em pessoa, fechada num aquário.

Agora, lutei e vou continuar lutando para não ter Banco de Horas, redução salarial de 20%, mudança no Plano de Saúde, Pejotização e outros problemas nos veículos de comunicação da região. Já me engoliram 18 anos e cinco meses e vou continuar na briga. Vou lutar até o fim pela minha reintegração. Eu represento uma categoria e ela toda, do mais politizado ao mais alienado, foi violentada com  a minha dispensa. Pra mim é só o começo. Não tenho medo. Não comemorem minha saída, pensem bem antes disso.
Sou, ou melhor, me tornei, um crítico contumaz do que vem sendo feito no centenário santista nos último anos. Uma estratégia clara de abandonar o Jornalismo e investir no “negócio”. Eu não me arrependo de nada do que fiz.
salsicha
Infelizmente, administrar uma empresa de Comunicação não é para executivos mal-assessorados e que nunca entraram numa redação, ao não ser para divulgar um torneio burguês de tênis, na Vila Rica. Um jornal trabalha com informação e uma fábrica de salsichas ou de ração pra cachorro, com salsicha e ração de cachorro. Acho que fui claro.
A maioria dos jornalistas que trabalha no diário local ganha o piso salarial da categoria, ou seja, o mesmo que um profissional de Itariri, cidade pequena do Vale do Ribeira, que merece todo o respeito. Mesmo estando a uma hora da Capital, os empresários modernos se negam a pagar a mais, a exorbitante quantia de R$ 1.000,00 para seu funcionários. Quando falam de reestruturação, isso significa, um ambiente de terra arrasada. Um monte de mesas vazias, sem computador, e poucos jornalistas trabalhando. Não tem um que entre ali é não lembre dos tempos que aquele prédio de dez andares, já foi referência, tinha movimento de pessoas durante todo o dia. Uma redação vibrante. Eu vivi um pouco disso lá.
Hoje, é um prédio velho e vazio e retrata muito a realidade das cabeças que pensam a empresa. Só para ter uma ideia, desde que um gênio nipônico brotou por lá, trazido por um amiguinho de pescaria de Festa Junina, talvez numa conta rápida, dezenas de profissionais ou pediram demissão ou foram demitidos. Um pequeno exemplo. Foram 17 jornalistas que deixaram a empresa. Os demitidos, em nome de uma reestruturação enganosa, e os que pediram pra sair, pois, na sua maioria, viram que não existem perspectivas profissionais e o melhor é sempre procurar uma empresa que valorize o jornalista e o Jornalismo, não a amizade ou relação com a chefia da Redação, hoje ocupada por alguém que, por motivos que não vou revelar, mas que muita gente tem conhecimento, está lá, estimulando a sabujice, a delação dos companheiros e a valorização das piores coisas nos seres humanos. Preciso respirar, estou enojado.
A grande ideia dos modernosos que tocam o Jornal é destruir com a Redação. Vez em quando enfiam goela abaixo a determinação para publicação da grande vantagem em virar Pessoa Jurídica e trabalhar em casa. O melhor dos mundos. Todo mundo batendo palmas. Jornalista trabalhando em casa e sem nenhum direito trabalhista, nada mesmo, nem aposentadoria. Enquanto isso, os diretores continuam com seus vale-combustível, pois andar de ônibus é para a ralé assalariada.
dinheiro
Olha, posso garantir que hoje já existe uma jornalista trabalhando neste sistema dentro do Jornal. Ganhava X,  foi “convidada” a “ser demitida” e depois passou a trabalhar em casa, ganhando a metade do que recebia quando batia o ponto. Essa experiência é numa área que os proprietários do Jornal valorizam muito: Coluna Social. O importante é sempre mostrar pra pessoas da Vila Rica e Via Azevedo que são ricos e famosos, e que têm amigos ricos e famosos e um espaço só deles. Um viva à mediocridade. Por isso, manter sete dias de Coluna Social por semana, ou seja, um recorde mundial e insuperável. Podem reparar que a publicação está cada dia mais enxuta, mas a Coluna Social segue lá, intocável. Pode sair até o obituário, mas o Social nunca. Segue ali com seus playboys e gente descolada e senhores e senhoras com seus sorrisos forçados. Incrível, não.
Recentemente vi como é bom não ter um dirigente sindical que ia para o enfrentamento dentro da Redação. O Caderno de Turismo publicou uma página inteira sobre Buenos Aires. Até aí, nenhum problema. A capital argentina desperta curiosidade. Agora, preste atenção no novo talento que escreveu a matéria. Não é jornalista e é o responsável pelos serviços gerais da empresa. Um empresa que sempre foi conhecida por só contratar jornalista diplomado e com Mtb (registro profissional no Ministério do Trabalho) entrega para alguém que cuida de parafusos, vazamentos, buraco no teto, telhado entre outras coisas, a missão de exercer a função de quem estudou quatro anos numa Faculdade. Nada contra o autor do texto, mas uma falta de respeito com todos os jornalistas da Redação. Sei disso, pois recebi reclamações lá de dentro.
strong
Em tempos de moralização, surgiram pessoas preocupadas lá dentro da empresa se os jornalistas ” que ganham tão mal” fazem assessoria de imprensa fora do trabalho. “Onde já se viu, ganha tão pouco, mas quer trabalhar fora pra ganhar mais?”, pensam algumas companheiras. Existe até dossiê sobre isso. Agora, quem monta dossiê não pode esquecer que também tem ou teve assessoria e usa o jornal para divulgar suas “coisinhas”. O importante é sempre ter um “Objetivo” determinado e ser “Forte” ou como se fala em inglês, “Strong” e continuar surfando no mar da babaquice. Tem empresa que trabalhava com a “Rainha da Moralidade” que quando quer “manda publicar no jornal”, não pede, manda mesmo. Eu vi isso, certa vez. Deixa pra lá. O importante é o dossiê e dar uma olhada no Facebook do ex-marido de funcionárias pra saber se eles estão ou não comprometidos. Ah, o jornalismo produzindo seus piores monstros.
Como diz a música Gota d´água, do Chico Buarque:  “Deixe em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoa” , o meu pote está até aqui “de felicidade”. A conferir.
imaginarium_pote_da_felicidade
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Um comentário sobre “Um pote até aqui de felicidade

  1. Sem palavras as injustiças apenas existem!!!
    Vai contra mentira apregoada e verdade escondida em remanejamentos e adequações e crises financeiras e as demissões vão a galope escolhendo quem tem ideologia, ética e prima pela transparência e honestidade.
    Sim papo reto sempre isso incomoda, irmão é seguir lutando, estamos juntos.

    Forte abraço

    Marcelo Ignácio

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